MEMBRO DA SOCIEDADE PORTUGUESA DE PSICOLOGIA

 

 

 
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HIPOTERAPIA

A Hipoterapia é uma técnica que promove a experiência através do contacto com o cavalo, e distingue-se de outras técnicas equestres pela abordagem, pela utilização de técnicas enquadradas por uma equipa multidisciplinar e por uma população alvo variada baseada nas necessidades educacionais, psicológicas e cognitivas que o indivíduo apresenta.

Recomendadas à equitação com fins terapêuticos estão: deficiências físicas como a paralisia cerebral ao acidente vascular cerebral, incapacidades como o autismo, atrasos de desenvolvimento, distúrbios emocionais e dificuldades de aprendizagem, etc.

O estudo realizado no âmbito da minha Monografia de Licenciatura teve por objectivo analisar as diferenças do desenvolvimento geral, da auto-estima e das relações familiares, em estudo de caso, de duas crianças de nove anos de idade, com o diagnóstico de paralisia cerebral (diplegia espática), através da Hipoterapia, uma terapia em que o cavalo é o agente terapêutico.

 

A testagem incidiu-se no antes e depois, com os testes: Teste do Desenho da Familia; Family Relations Test; Escala de Auto-Estima de Susan Harter; e o Teste de Desenvolvimento da Griffiths.

Enquanto o cavalo e o indivíduo se movem, o centro de gravidade do indivíduo transita em resposta ao movimento do andamento do cavalo, o que produz uma resposta adaptativa por parte dos músculos do indivíduo, provocando um padrão reactivo postural normalizado.

Foi escolhido a Hipoterapia por ser uma terapêutica recente, necessitando de estudos que sustenham a sua eficácia nos parâmetros da Psicologia.

O interesse pelo cavalo, prende-se por ser um animal dócil, dotado de grande sensibilidade, inteligente e imponente pela sua estrutura e força, permitindo pelas suas características, facilitar à criança o desenvolvimento de relações com o meio.

A Hipoterapia permite à criança através dos exercícios realizados uma noção do seu esquema corporal. O cavalo oferece à criança um suporte emocional, dando-lhe uma maior auto-eficácia, menor frustração, proporcionando a segurança de realizar novos movimentos e experimentar o meio, contribuindo para a melhoria das competências no desenvolvimento geral e da imagem corporal. Assim, o cavalo potencia uma maior exploração, manipulação e controle do mundo físico, contribuindo para uma melhor relação social.

Pela sua semelhança com o desporto equestre, a criança tem a possibilidade de vivenciar sensações que as crianças sem perturbações motoras têm, contribuindo deste modo para a auto-estima das suas competências físicas. Se auto-estima aumenta através do cavalo como objecto de segurança na H., essa segurança regista-se a outros níveis como nas competências escolares.

A Hipoterapia acrescenta-se como uma terapia, que utiliza o cavalo como um agente emocional, ajudando a criança a conhecer o seu meio, melhorando a auto-estima e adaptando as suas melhorias motoras às exigências do seu quotidiano, tornando-a mais autónoma.